Conflitos eternos: quando não buscamos a solução

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Volta e meia me pergunto a quem servem os conflitos? Tanto no nosso ambiente pessoal quanto num plano macro.

Em nossa vida, enfrentamos conflitos quase que diariamente. Alguns mais simples, enquanto outros nos acompanham por um tempo. Conflitos que temos conosco mesmo e também com outras pessoas do nosso convívio.

Num plano de sociedade, parece que estamos sempre de um lado. E que no outro há uma multidão enfurecida, pronta pra acabar conosco.

É o certo e o errado, o bem e o mal, a vítima e o perpetrador. Estamos sempre nos movimentando nesses polos. Igualmente, nossas idéias acompanham a “nossa” inocência, onde invariavelmente somos os certos, e os outros, errados.

E nesse movimento, onde reservo para mim a razão e para o outro o ato de educar ou reprimir, alimento um movimento que por muito tempo nos ronda como sociedade: o medo. Entramos no ciclo do conflito sem fim.

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O medo

Pode parecer novidade, mas não é. O nosso medo tem alimentado uma gangorra em que idéias e ideais se intercalam, de tempos em tempos, sempre tentando provar que “nós” estamos certos, e “eles” estão errados.

Na tentativa de provar que o olhar de cá é melhor que o de lá, abusos são cometidos. E isso alimenta o movimento que fará o outro lado se reerguer.

Então, quando este assume uma posição de poder, ele sem lembrar do que sofreu ou como se sentiu desrespeitado quando sua posição era outra, passa a provar para o outro lado que aquilo que ele acredita, e sabe com todas as suas forças, experiências, estudos, instintos, está certo.

Assim, também cai na cegueira da certeza e estabelece padrões que desrespeitam o outro em seu espaço, que nós, como sociedade, usufruímos juntos.

E assim ele arma o movimento que os farão trocar de lugar novamente. E esse ciclo se repetirá por muito tempo, até que um deles considere que o outro também tem sua razão, e que, de alguma forma, ela também deve ser incluída.

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A dualidade

Nós ainda estamos presos na dualidade: julgamos o bom e o mal, o inocente e o culpado, um lado ou outro. Temos dificuldades para perceber que nos movimentos onde há “lados”, ambos participam e buscam a dinâmica que se manifesta.

Se conseguirmos verdadeiramente olhar de forma sistêmica, veremos que os papéis desempenhados de certo e errado, bom e mal, são somente isso: papéis. Ambos os lados buscam o conflito, e ambos se alimentam de sua perpetuação. Em última análise, em um conflito, ambos os lados desejam que ele continue, pois isso, de alguma forma, tem sua utilidade para os que estão envolvidos.

A pergunta que fica é: desejamos verdadeiramente viver sem conflitos? Temos a capacidade de lidar com a realidade, e não com os medos que pulsam dentro de cada um de nós? Pois é esse medo que tem nos feito tomar decisões confusas, que não são tomadas a partir do nosso centro.

Mas se não nos sentimos capazes de sair do nosso lado e compreender que há uma multidão do outro lado que também tem certeza “que estamos errados” (da mesma forma que pensamos isto deles), podemos concluir que nós, do nosso lugar, estamos participando inconscientemente, e talvez até desejando, a perpetuação do conflito?

O objetivo do conflito

E se isso faz sentido, será que podemos honestamente nos perguntar: Porque eu desejo este conflito que eu contribuo para persistir? O que eu procuro neste lugar?

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Embora possa parecer ingênuidade, acredito que as pessoas desejam verdadeiramente estarem bem uma com as outras, independente de suas crenças e histórias de vida. Pelo menos, até hoje, nunca vi ou ouvi niguém falar que “felizmente, vive em um ambiente de conflito.” Perseguir uma vida em paz parece ser o que alimenta uma boa parte dos nossos impulsos.

Mas nós, como indivíduos falhos (e medrosos) sempre temos a imagem de alguém que virá perturbar nosso sossego, e antes mesmo dele aparecer, já estamos fortemente protegidos por uma série de estratégias que o nosso poder garante. A nossa tradução de querer paz vem acompanhada do medo de perdê-la.

Temos pouca capacidade de lidar com o desconhecido. Alguns livros falam que isso é nossa memória instintiva das florestas selvagens que nossos genes tiveram que dominar para que pudéssemos chegar aqui hoje, como raça humana.

A busca da conciliação

O desconhecido nos deixa desconfortável. Então desejamos não lidar com o desconhecido. Estamos brigando, em pleno século XXI, com as sombras, barulhos e luzes estranhas que nosso elo ancestral percebia no escuro das matas, naquela vastidão ameaçadora.

Nos conflitos, esse é o medo que nos leva adiante para não acatar, de forma alguma, algo que nos deixa desconfortável com o ambiente conhecido que construimos com nossas idéias. Nem sequer escutamos o outro lado.

Talvez nós podemos, sendo que todos nós já tivemos a experiência de ser “um dos lados” de qualquer conflito que passamos, começar a praticar o olhar para o outro, aceitando o desconhecido que ele carrega em si. Aceitando o desconforto que isso me traz, e tentando encontrar um caminho para a conciliação.

Bert Hellinger fala que toda solução se inicia na conciliação. E a conciliação acontece quando ambos os lados reconhecem que podem encontrar um lugar, no meio, onde ambos se vêem e se reconhecem como partes responsáveis pelo o que se manifesta na relação .

Paradoxalmente, como vimos com grande frequência nas Constelações, é no movimento do encontro que se abre a possibilidade da liberação, onde cada um encontra o seu espaço para viver e praticar aquilo que acredita.

Sem invasões. Sem conflito. Com respeito. Olhando adiante ao invés de reagir tardiamente ao que já passou.


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