Um olhar para “VIVA — A vida é uma festa” pela ótica da Constelação Familiar

 
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O filme da Disney/Pixar “Viva — a vida é uma festa” traz a história de Miguel, um garoto mexicano apaixonado por música, numa família que não permite nenhuma menção a ela. O tataravó de Miguel, um músico, abandonou a família pelo sonho de ter a carreira musical. Este fato transforma a música no tabu da família.

Desde esse acontecimento, a música e qualquer coisa que lembre ela é banida da família, uma forma de proteger a bisavó de Miguel de qualquer lembrança do pai.

Assim, algumas gerações se passam, com todos respeitando este afastamento da música. Mas Miguel tem uma relação especial com ela, se identifica e quer ser um grande músico. Em um momento, ele deixa isso claro para a família, o que gera uma forte oposição da família.

Os mortos

O filme se passa no dia dos mortos, uma tradição mexicana que fala que no dia 31 de outubro as almas dos antepassados podem retornar à terra para visitar seus parentes vivos.

Com esse pano de fundo, o filme explica que para que o antepassado possa visitar sua família, ele deve ser lembrado através de uma foto e de oferendas. É a preparação da família que permita que nesse dia ele possa retornar.

É possível traçar um paralelo aqui com uma das Leis de Hellinger, o Pertencimento. Em todo o filme, ele ilustra como o esquecimento e a exclusão de um integrante gera movimentos de compensação em todo o sistema.

Como fala Hellinger, o mais comum é que a busca por essa compensação ocorra em um dos integrantes mais novos da família. No filme, é Miguel.


A exclusão

Seu interesse pela música é um exemplo disso. Ele é apaixonado por música, mesmo que ela não seja cultivada em sua família. Ele busca um recanto para praticar, e se manter em contato com ela, mesmo com toda a força contrária da sua família.

Nesse sentindo, pode-se interpretar esse movimento como a sabedoria do campo, que impõe aos seus integrantes que as leis trazidas por Hellinger sejam respeitadas.

Mesmo sem contato com a música e sem saber muitos detalhes da vida de seu tataravô, Miguel se sente extremamente atraído e identificado com essa arte, assim como seu ele. Dessa forma, ele honra a lembrança do tataravô e seu pertencimento, sem se dar conta disso.

Outro ponto interessante, é que, por causa da música, Miguel também sai de seu sistema familiar. Novamente uma repetição. Ele se afasta, e este movimento é que gera todo o arco da história vista no filme.

A benção

O contato com o violão de seu avô, que ele toca ao fugir de casa, é a mágica que abre seu contato com o mundo dos mortos. Logo ao entrar, ele encontra alguns antepassados, que estão todos se preparando para ir visitar seus familiares na terra, como é da cultura da comemoração de 31 de outubro no México.

Esse familiares se assustam por encontrar Miguel lá, mas passado o impacto inicial, voltam a lidar com ele como integrantes de sua família. Eles tentam fazer Miguel voltar para casa, que ele deve ter que fazer até o amanhecer, sob risco de ficar preso naquele mundo (morrer).

A chave para ele sair de lá é receber a benção da sua Tataravó, que ela dá, com a condição de ele não mais se envolver com música.

Miguel novamente não aceita e foge, na busca de seu avô. Ele acredita que o avô poderá lhe dar a benção sem impedir seu acesso à música, já que ele também era músico.

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Encontro com o Destino

No caminho de sua Jornada de Encontrar Ernesto de La Cruz, um famoso cantor que ele acredita ser seu avô e espera receber sua benção, ele encontra Héctor, um esqueleto que tenta de muitas formas voltar para a terra para ver sua filha, mas que não mais é lembrado nem tem oferendas em seu nome.

Ele decide ajudar Miguel na condição de que ele leve uma foto para o mundo dos vivos, permitindo assim que ele faça a travessia no dia dos Mortos.

Héctor aos poucos vais se desenrolando em um personagem melancólico, sofrendo com o risco de desaparecer devido ao esquecimento de sua memória.

Novamente, esquecimento que se percebe como exclusão. Uma frase, muito ouvida em encontros da Constelação vem à mente: “Os mortos estão invisíveis, mas não ausentes.”

O amor à beira do abismo

O prazo para Miguel conseguir voltar para sua casa sem ficar preso no mundo dos mortos é o amanhecer do dia após o dia dos mortos. A cada nova hora que passa, Miguel fica mais próximo de sua transformação completa em um esqueleto, que significaria o fim de sua vida.

Mesmo correndo o risco de ficar preso ali (morrer) ele não desiste de retornar para casa sem levar consigo a benção e a memória de seu avô.

Dentro do que vimos na constelação, esse é o amor da criança, que se sente responsável e capaz de resolver a questão dos que vieram antes.

Neste caso, a história ilustra bem o movimento de risco que nos colocamos quando crianças e que muitas vezes levamos para a vida adulta de aceitarmos a morte se em algum lugar percebemos isso como necessário para o ajuste do pertencimento, da ordem e do equilíbrio no sistema.

Esse é um movimento geralmente inconsciente, e também muito comum de ser observado nas constelações.

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O fim

Nesse caminho, o filme dirige-se para o encerramento desta história. Algumas surpresas interessantes são guardadas na conclusão, que não vou abordar neste texto para não estragar a experiência desse filme para quem ainda não viu.

Mas é um grande filme, tanto pela sua história e condução, quanto para aqueles que gostam de estudar e compreender a visão sistêmica e das Constelações trazidas por Bert Hellinger.

O filme, de certa forma, funciona como uma constelação: ao falar da história da família de Miguel, de seus antepassados, dos tabus e dos segredos existentes, nos permite sentir em nosso próprio corpo o que daquilo pertence a nós.

De algum forma, nos ajuda a caminhar um pouco mais para próximo daquilo que precisamos ver para estar mais aptos a aceitar o que é. Reacende nossa crença na força do que está contido em nosso sistema familiar.

Um sentimento muito semelhante de quando vemos a constelação de outras pessoas.


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